No último domingo, 13 de julho de 2025, a Praça Augusto Silva, no centro de Lavras, foi tomada pela força simbólica da cultura afro-brasileira com a apresentação da tradicional puxada de rede, encenada pela Escola de Capoeira “I lá vou eu”. O evento foi conduzido por duas importantes referências da cultura local: o Mestre Rogério, fundador da escola, e a Mestra Nilsa, única mestra de capoeira da cidade. A apresentação atraiu um público expressivo e emocionou os presentes com cânticos, percussão e encenação teatral que remetem à vida dos pescadores.
A puxada de rede não é apenas uma coreografia; trata-se de um ritual carregado de memória e ancestralidade, que resgata a vivência dos pescadores negros no período pós-abolição. Durante a performance, os capoeiristas representaram o árduo trabalho coletivo de lançar e puxar a rede do mar, ao som dos atabaques e das cantigas tradicionais.
Em Lavras, ainda são raras as apresentações de puxada de rede, especialmente em espaços centrais da cidade, o que torna essa iniciativa ainda mais relevante. Ao trazer essa manifestação para o espaço público, a Escola de Capoeira “I lá vou eu” cumpre um papel fundamental na preservação da memória cultural e na valorização das expressões afro-brasileiras.
Além de liderarem a escola, o Mestre Rogério e a Mestra Nilsa são responsáveis pelo Camugerê – Centro de Preservação da Cultura Afro-Brasileira. O Camugerê desenvolve um importante trabalho de formação cultural, reunindo em seu repertório expressões como a capoeira, o maculelê, a puxada de rede, o jongo, a culinária tradicional de comunidades quilombolas e músicas autorais inspiradas no universo da capoeira. A atuação do Camugerê é fortalecida pelo apoio da Política Nacional Aldir Blanc, que tem sido essencial para a manutenção e a expansão de suas atividades.
“A puxada de rede é um patrimônio imaterial do nosso povo. Ao apresentá-la aqui, na praça, mostramos que a cultura negra resiste e pulsa em Lavras”, afirmou Mestra Nilsa. Já o Mestre Rogério destacou que o objetivo da ação é integrar diferentes linguagens culturais da capoeira e ampliar o acesso da população à riqueza das tradições afro-brasileiras.
Com essa apresentação, a Escola de Capoeira “I lá vou eu” reafirma sua missão de educar, preservar e transformar por meio da arte. Em tempos de apagamento cultural, eventos como esse são verdadeiros atos de resistência e celebração da identidade negra brasileira.
s
















