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Quilombo urbano CAMUGERÊ fortalece a cultura afro-brasileira em Lavras

Rogério apresenta o CAMUGERÊ – Centro de Preservação da Cultura Afro-Brasileira, espaço de resistência e valorização da cultura afro-brasileira em Lavras.

Por Giselle, presidente do Instituto Phos.

Em Lavras, um espaço vem se consolidando como referência na preservação e valorização das tradições afro-brasileiras: o CAMUGERÊ – Centro de Preservação da Cultura Afro-Brasileira. Fundado em 2005, o local é usado de forma contínua na salvaguarda, difusão e transmissão de saberes que fazem parte da história e da identidade cultural do Brasil, com impacto direto no município e em toda a microrregião.

Mais do que um espaço físico, o CAMUGERÊ se apresenta como um verdadeiro território de memória viva. Seu eixo central é a manutenção de um acervo museológico particular, cuidadosamente organizado e aberto ao público. Nele, visitantes encontram instrumentos musicais, artefatos religiosos, objetos históricos, fotografias, documentos e livros que retratam manifestações como Capoeira, Maculelê, Puxada de Rede, Samba de Roda e Jongo. Cada peça preservada carrega não apenas valor material, mas também significados simbólicos, históricos e espirituais.

O espaço foi concebido justamente para garantir condições adequadas de conservação desses bens culturais, protegendo não só os objetos, mas também os contextos que lhes dão sentido. Essa preocupação transforma o CAMUGERÊ em um ambiente de educação patrimonial, onde o conhecimento é compartilhado de forma acessível e envolvente.

As visitas acontecem de forma permanente e são sempre mediadas pelo Mestre Rogério, responsável pela condução das atividades. Durante as visitas, o público é convidado a mergulhar na história das peças por meio de explicações que abordam aspectos históricos, sociais e religiosos. A experiência vai além da observação: há demonstrações práticas de instrumentos, rodas de conversa e momentos de interação, tornando o aprendizado dinâmico e participativo.

Essa metodologia, que une exposição, oralidade e prática, faz do CAMUGERÊ um espaço vivo, onde a cultura não está apenas exposta, mas em constante movimento. É um ambiente que educa, sensibiliza e fortalece o reconhecimento da importância das tradições afro-brasileiras.

Além do acervo, o local também abriga atividades formativas regulares em parceria com a Escola de Capoeira I Lá Vou. Os alunos, em sua maioria de baixa renda, participam de aulas de Capoeira, Maculelê e Puxada de Rede. Nessas atividades, os próprios instrumentos do acervo — como berimbaus, atabaques e bastões — são utilizados, conectando a preservação museológica à prática cotidiana.

Essa integração entre teoria e prática contribui para a formação cultural e cidadã dos participantes, além de garantir a continuidade dessas tradições. O CAMUGERÊ também promove vivências abertas de Samba de Roda, ampliando o acesso da comunidade a diferentes expressões culturais afro-brasileiras.

Outro aspecto importante da atuação do centro é o diálogo com comunidades quilombolas da região. Por meio de visitas e intercâmbios culturais, são realizadas rodas de conversa, apresentações e trocas de saberes tradicionais. Essas ações fortalecem vínculos, promovem reconhecimento identitário e criam uma rede de cooperação cultural no território. Jovens e idosos participam dessas atividades, garantindo a transmissão intergeracional dos conhecimentos.

Um dos marcos mais significativos da trajetória recente do CAMUGERÊ foi a implantação do Jongo em Lavras. O trabalho começou em 2022, com estudos e intercâmbios com grupos do Rio de Janeiro, referência nacional nessa manifestação. Em 2025, o centro consolidou o primeiro núcleo estruturado de Jongo da região, com 16 participantes regulares. A iniciativa ampliou a diversidade cultural local e posicionou o CAMUGERÊ como protagonista na introdução dessa tradição no território.

No mesmo ano, o espaço deu mais um passo importante ao expandir sua atuação com a criação da Praça de Iúna, localizada em frente ao centro cultural. O local passou a sediar rodas culturais, apresentações de capoeira, encontros de jongo e intervenções artísticas em grafite, transformando o espaço urbano em um ponto de encontro e expressão cultural.

Atualmente, o CAMUGERÊ impacta diretamente cerca os participantes em atividades continuadas, além de receber visitantes espontâneos e mobilizar a comunidade do entorno. Sua atuação o consolida como um equipamento cultural comunitário de grande relevância para Lavras.

Em um contexto em que a valorização da cultura afro-brasileira ainda enfrenta desafios, o CAMUGERÊ se destaca como um espaço cultural de resistência, educação e celebração. Mais do que preservar o passado, o centro constrói pontes para o futuro, garantindo que essas tradições continuem vivas, pulsantes e acessíveis para toda a população.

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