Por Marco Bissoli
Sabadão. Estou parado no bar de uma cidade do interior do Rio.
Vejo, surpreso, a quantidade de bicicletas que passam sob o meu olhar na rua em frente. Magrelas que vêm e vão.
A cidade, de terreno plano, é um convite para montar uma. Seja para andar à toa, seja para cumprir um objetivo. Não importa o destino, mas o pedalar.
São muitos os modelos, cores e marcas que riscam o asfalto quente. Longe da gourmetização em que se transformou esse meio de transporte, aqui o que vale é a chamada bike raiz.
Nada de ostentação mercadológica e tribal dos dias de hoje. Aqui, andar de bicicleta é uma segunda natureza — democrática, direta, simples, eclética. É como uma digital: intransferível.
Coisa rara de se ver nestes tempos instagramáveis.
Vão sobre elas os mais variados gêneros humanos. Cabe o mundo inteiro no selim.
Sempre invejei os grandes andarilhos — Thoreau, Rimbaud, Cristo e companhia. Homens que percorreram grandes distâncias a pé, sem medo de topar com o imponderável.
Caminhantes que viraram o mapa do avesso. Fundaram reinos, abriram picadas de possibilidades e sustentaram o próprio desejo.
Hoje, coloco a bike raiz no mesmo lugar.
Pedalar de verdade é preciso.
Viver também.
















