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Morre cantor e compositor Peppino Di Capri, do sucesso ‘Champagne’, aos 86 anos

O cantor e compositor italiano Peppino di Capri – Divulgação

O cantor e compositor Peppino di Capri morreu na manhã deste sábado (11), na ilha de Capri, na Itália, aos 86 anos. A notícia foi divulgada na própra rede social de di Capri, com uma foto e uma legenda singela: “Tchau, Peppino”. A causa da morte ainda não foi divulgada pela família.

Nascido em julho de 1939 na mesma ilha em que viria a morrer, di Capri foi um renomado cantor, pianista e compositor, destacando-se como um dos grandes ícones da música do século 20. Ele ficou mundialmente famoso por clássicos românticos como “Champagne” e “Roberta” —sendo esta última a que deu início a uma onda de batismos de crianças com esse nome na Itália.

Peppino di Capri —cujo nome de batismo é Giuseppe Faiella— esteve desde cedo em contato com o unvierso musical. Seu avô tinha uma banda na ilha de Capri e o seu pai, uma loja de discos além de saber tocar vários instrumentos. Aos quatro anos, o cantor já se apresentava para os soldados aliados nas bases militares da ilha durante a guerra.

Em 1953, ele formou o “Duo Caprese” e se apresentava nas boates de Capri ao lado do baterista e amigo Ettore Falconieri. Anos depois, a dupla participou do programa “Primo Applauso”, venceu a competição e ganhou um aparelho de televisão.

Em 1957, ele formou o grupo “Capri Boys”, uma banda inspirada nos roqueiros americanos, com Pino Amenta, Mario Cenci e Gabriele Varano. Após um contrato com gravadora milanesa Carish, o grupo passou a ser chamado de “Peppino di Capri e os seus Rockers” e emplacou sucessos como “Malatia”, “Let Me Cry” e “Nun È Peccato”.

Em dezembro de 1961, a banda lançou o twist, dança inspirada no rock, na Itália com “Let’s Twist Again”, música que vendeu um milhão de cópias em 1962 e levou Peppino di Capri ao topo das paradas. Depois, se seguiram as canções “Don’t Play That Song” e “St. Tropez Twist”, assim como turnês pela Alemanha e pelos Estados Unidos.

Na época, Peppino di Capri apostava em um arquétipo do cantor melódico italiano, mas que estava, ao mesmo tempo, voltado para o futuro. Ele, então, transmitia segurança ao mesmo passo que tinha uma áurea de travesso, se deixava fascinar pelo estilo rock sem deixar de ser o tipo de “namorado ideal” para a legião de fãs que o seguia.

Foi esse charme de seus primeiros tempos, junto a uma energia juvenil, que lançou-o em um mundo em rápida transformação e garantiu-lhe um papel singular na música italiano.

No auge da sua carreira, na década de 1960, chegou a dividir o palco com os Beatles durante a turnê italiana da banda britânica, em 1965, e foi um dos grandes responsáveis por levar à Itália o gosto pelo rock.

O cantor também é consagrado no Festival de Sanremo, principal concurso de música popular e o evento cultural mais assistido da televisão italiana. Ao todo, esteve presente em 15 edições do evento, levando o primeiro lugar apenas duas vezes: em 1973 com a música “Un Grande Amore e Niente Più” e depois em 1976, com a “Non Lo Faccia Più”. Ele ganhou o Festival da Canção Napolitana em 1970 com “Me chiamme ammore”.

“Sentia que o melhor ainda estava por vir. Talvez seja justo que aconteça dessa forma para canções que têm um estilo clássico não ligado a uma dança ou a uma moda, algo que nos diverte só por um verão e depois irrita”, disse em 1973 ao vencer o festival.

Em 1973, Peppino di Capri lançou “Champagne”, composta por Mimmo Di Francia, Depsa e Sergio Iodice. Profundamente conhecida pelo refrão melancólico, a música obteve inicialmente apenas um sucesso morno. A fama veio depois, gradualmente, até se tornar um clássico na Itália, passando a integrar o repertório típico de casas noturnas e bares com piano.

A vida amorosa de di Capri esteve entrelaçada com sua produção musical. O primeiro casamento foi com Roberta Stoppa, que o acompanhou durante os anos de seu maior sucesso artístico. Para ela, o cantor dedicou a canção “Roberta”, que se tornaria uma das mais famosas de seu repertório.

Foi em uma crise de relacionamento com Roberta, entretanto, que o cantor conheceu quem viria a ser sua segunda mulher: Giuliana Gagliardi, que se tornou sua companheira na maturidade e no renascimento profissional, permanecendo ao seu lado por mais de quarenta anos. Para ela, a canção dedicada foi “Un Grande Amore e Niente Più”, com a qual venceu o Festival de Sanremo.

O cantor deixa três filhos: Igor (com Roberta Stoppa) e e Edoardo e Dario (com Giuliana Gagliardi).

Peppino di Capri realizou dezenas de apresentações no Brasil ao longo de sua carreira, marcadas por shows lotados em capitais, aparições na TV e público emocionado e cantante.

O funeral será realizado neste domingo (12) à tarde, às 17h, na antiga Catedral de Santo Stefano, na Piazzetta di Capri.

Fonte: Folha de São Paulo 

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