Aureliano Borges posa ao lado da estátua de Roberto Drummond, na Savassi, em BH.
Uma das personagens mais marcantes da literatura brasileira e mineira, Hilda Furacão, acaba de ganhar um estudo aprofundado que investiga suas origens e seu impacto no imaginário cultural de Belo Horizonte.
A obra é assinada pelo advogado, jornalista e professor Aureliano Borges e analisa tanto Hilda Maia Valentim (veja abaixo), figura real que teria inspirado o romance de Roberto Drummond, publicado em 1991, quanto a construção literária da personagem que atravessou gerações.
No romance, Hilda é uma jovem da elite belo-horizontina que rompe com o noivado e passa a viver na zona boêmia da capital nos anos 1950, provocando escândalo social. A história ganhou ainda mais notoriedade ao ser adaptada para a televisão, na minissérie exibida pela TV Globo em 1998, com Ana Paula Arósio no papel principal, fato que colocou a personagem no imaginário coletivo do país.
Intitulado “Hilda Furacão é gente de verdade ou é uma criação ficcional de Roberto Drummond? O legado do romance Hilda Furacão provoca dúvidas sobre a existência”, o livro propõe que a personagem ultrapassa os limites da ficção e se consolida como parte da memória cultural da cidade. O volume foi publicado pela Editora Dialética.
A narrativa mescla memória urbana, mitologia local e ficção histórica, transformando a dúvida sobre a existência real de Hilda em um campo fértil para análise crítica, social e política.
O trabalho é resultado da pesquisa de conclusão do curso de Mestrado de Aureliano Borges e foi organizado por professora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Lavras (UFLA).

Segundo o autor, as diferentes representações da personagem revelam tensões sociais e políticas do país. “As ‘muitas Hildas’ — a figura histórica, a criação literária, a alegoria política, a musa indomável — revelam um país que tenta controlar o que escapa, silenciar o que insiste e explicar o que se rebela”, avalia.
Além da produção acadêmica, Aureliano Borges atua em projetos jornalísticos na TV Interativa de Lavras e desenvolve seu projeto pessoal na plataforma digital Mídia JAB TV e Rádio.

Foto do dia do casamento de Hilda Valentim, que inspirou a personagem, e do jogador Paulo Valentim.
Inspiração
Hilda Maia Valentim nasceu em 30 de dezembro de 1930, em Recife, mas ainda criança se mudou com sua família para Belo Horizonte. Seus pais tinham um grande poder aquisitivo.
No entanto, Hilda tinha uma alma livre e desde muito jovem queria desbravar os bairros boêmios da capital mineira. Foi nesse momento que descobriu uma profissão pouco convencional. Lá, iniciou seus primeiros trabalhos como garota de programa. O apelido de Furacão surgiu pouco tempo depois, devido ao seu temperamento. A prostituta não levava desaforo para casa. No entanto, a história mostrada na produção conta com a famosa liberdade criativa, comum em filmes e séries baseados em histórias reais.
















