Capoeira Tradição amplia qualificação para acolher, com ainda mais sensibilidade e segurança, alunos neurodivergentes em seus 12 núcleos de ensino.
O grupo de capoeira Tradição deu mais um passo na qualificação para receber, com segurança e sensibilidade, alunos neurodivergentes. A secretária do grupo, Milene Nara, conhecida na capoeira como Estagiária Chaveirinho, concluiu o curso “Introdução à Análise do Comportamento Aplicada no Contexto de Ensino ao Autista”, promovido pela Associação CONTATO e ministrado por Matheus e Yasmin, do Instituto Sintonia Comportamental.
Ao longo da formação, foram apresentados conteúdos sobre as fases do desenvolvimento e estratégias fundamentais para compreender, adaptar e atuar de acordo com as necessidades específicas de crianças e adultos autistas. Esses conhecimentos chegam em um contexto concreto: o grupo de capoeira Tradição já conta com diversos alunos autistas e um aluno com síndrome de Down, o que torna ainda mais urgente e necessário o aperfeiçoamento das práticas de acolhimento e inclusão.

Segundo Milene Nara, acolher bem o aluno autista e sua família significa reconhecer que o processo educativo vai muito além da técnica da capoeira: envolve escuta, respeito às singularidades e construção de vínculos de confiança. “Quando a família percebe que o espaço é preparado, que a equipe compreende as especificidades do TEA e se dispõe a adaptar rotinas, linguagens e dinâmicas, ela se sente segura para permanecer e participar ativamente. Isso reduz barreiras emocionais, favorece a continuidade das aulas, fortalece a autoestima do aluno e transforma o grupo em um ambiente de apoio, pertencimento e desenvolvimento integral para crianças, jovens e adultos neurodivergentes”, destaca.
Atuando em 12 núcleos de ensino em Lavras, sendo dois na zona rural, o grupo Tradição atende aproximadamente 500 alunos na cidade. Milene afirma que irá utilizar os conhecimentos adquiridos no curso para preparar toda a equipe do grupo, replicando o conteúdo com todos os instrutores de capoeira, de modo a padronizar práticas inclusivas e qualificar o atendimento aos alunos neurodivergentes em todos os núcleos.
Para o Mestre de Capoeira Natan Zord, a iniciativa reforça um compromisso que já faz parte da identidade do grupo. “A inclusão é um dos pilares do Tradição. Queremos acolher a todos de forma adequada e impactar positivamente os alunos neurodivergentes e suas famílias”, ressalta. Com isso, o grupo se consolida como referência em capoeira inclusiva, aliando tradição, cuidado e responsabilidade social.

















