Senador confirmou favoritismo das pesquisas e conseguiu liquidar a eleição após passar quase ileso dos adversários na campanha.
Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito, neste domingo (4/10), governador de Minas Gerais para os próximos quatro anos e assumirá uma listagem de desafios à frente do Palácio Tiradentes. Ele manteve o favoritismo apontado nas pesquisas desde a pré-campanha e assumirá o comando a partir de janeiro de 2027. O senador conseguiu liquidar a disputa já no primeiro turno.
Com 5.347. 531 votos apurados às 20h15, 55,09% do total, o senador conquistou o cargo de governador de Minas. São 2,8 milhões de votos a mais que Patrus Ananias, faltando 2,4 milhões de votos a serem apurados
A vitória deste domingo se deu após uma campanha tranquila, liderada por ele de ponta a ponta, participando apenas de dois debates e passando ileso das críticas e questionamentos de adversários em quase toda a temporada de busca de votos. O resultado, a propósito, pouco surpreende, tendo em vista que as pesquisas indicavam ao longo das últimas semanas o crescimento de Cleitinho e a possibilidade da eleição chegar ao fim sem necessidade de um segundo turno.
O próprio candidato do Republicanos tratava, desde meados de setembro, o triunfo já neste domingo como algo possível diante do cenário eleitoral no estado. A chegada ao Palácio Tiradentes marca mais um capítulo da ascensão pública de Azevedo, que tem raízes em Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais. A cadeira de governador será o quarto cargo que Cleitinho vai ocupar.
Seguido por mais de 4,5 milhões de pessoas em um dos perfis em redes sociais, ele foi eleito vereador de Divinópolis em 2016, deputado estadual em 2018 e senador em 2022, cargo para o qual tem mandato ativo até 2030 e que agora será ocupado pelo empresário Alex Coelho Diniz (PL).
Sem nunca ter assumido uma posição de administrador na gestão pública, Cleitinho assumirá o estado com a “sombra da dúvida” de quem nunca teve “a caneta” na mão. A incerteza sobre a capacidade administrativa se soma a obstáculos relevantes para quem terá como responsabilidade governar para 21,4 milhões de mineiros. O principal desafio diz respeito à saúde financeira de Minas Gerais. O déficit previsto para 2027 chega a R$ 7,67 bilhões, conforme a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) sancionada em agosto. Além do volume de despesas superando as receitas, o Palácio Tiradentes enfrenta uma crise fiscal acentuada.
A dívida total soma R$ 208,87 bilhões. Somente à União, no débito renegociado no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), Minas deve mais de R$ 187 bilhões, segundo o boletim da Secretaria de Estado da Fazenda referente ao mês de agosto. A dor de cabeça orçamentária se junta às cobranças que Cleitinho vai enfrentar em diversas frentes. Ele se elegeu governador tendo como uma das principais propostas a redução, à metade, da alíquota que incide sobre o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
A proposição enfrentou resistência de prefeitos que, preocupados com as finanças municipais, organizaram um manifesto durante a campanha contra a tese defendida pelo então candidato do Republicanos. A mobilização se deu porque o IPVA, além de contribuir para pagar folha salarial e despesas municipais, também injeta anualmente mais de R$ 2 bilhões no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Cleitinho ainda terá cobranças vindas do funcionalismo público. Servidores da segurança pública cobram, do governo, uma recomposição salarial acima dos 50%. Outras categorias cobram isonomia em relação às negociações de perdas salariais. Cálculos do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público no Estado de Minas Gerais (Sindpúblicos-MG) indicam que parte do funcionalismo ficou sem recomposições inflacionárias nos vencimentos entre 2013 a 2021. A entidade denuncia que mais de 25 mil servidores do Executivo estadual recebem menos de um salário mínimo.
Na nova função, caberá, também, a Cleitinho atuar para desatar nós como a finalização das obras dos Hospitais Regionais de Governador Valadares e Conselheiro Lafaiete e o imbróglio judicial que trava as obras do Rodoanel Metropolitano, caso que está parado no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6). Sobre a Grande BH, a propósito, o novo governador ainda terá como desafio a construção da linha 2 e ampliação do metrô da capital para além das novas estações inauguradas por Romeu Zema (Novo).
Para comandar o estado, Cleitinho terá ao seu lado Luís Eduardo Falcão (Republicanos). Ex-vice prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), ele foi o responsável por coordenar a campanha e tornou-se um dos principais aliados de Azevedo. Em entrevistas durante a campanha, inclusive, Cleitinho disse em mais de uma oportunidade que Falcão seria um segundo governador, indicando uma participação ativa do vice nas decisões do Palácio Tiradentes.
















