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Mestres da Cultura Popular de Lavras: Mestre Rogério – Capoeira

Nesta série, apresentamos alguns Mestres da Cultura Popular de Lavras.

Por Giselle, presidente do Instituto Phos

Há mais de 40 anos, Mestre Rogério constrói uma trajetória marcada pela preservação da cultura afro-brasileira e pela formação de gerações em Lavras e região. Reconhecido como mestre de capoeira e registrado no IPHAN, ele se consolidou como uma das principais referências culturais da microrregião, articulando práticas tradicionais, formação comunitária e valorização da identidade negra.

O primeiro contato com a capoeira aconteceu ainda no fim da década de 1970, ao assistir a uma roda na Praça Augusto Silva. A experiência foi determinante para que assumisse a prática como compromisso de vida. Nos anos seguintes, treinou com Mestre Bem, em um contexto em que a capoeira era marginalizada e praticada em espaços improvisados. A partir dessa base, construiu um percurso contínuo, que se fortaleceu com sua passagem por São Paulo, onde ampliou conhecimentos e iniciou sua atuação como professor.

Em 1993, fundou a Escola de Capoeira I Lá Vou Eu, marco na consolidação de seu trabalho. Desde então, organizou 48 eventos de graduação e troca de cordas, promovendo intercâmbio entre grupos e garantindo a continuidade do saber. Ao longo desse processo, formou alunos que se tornaram professores e mestres, evidenciando o alcance multiplicador de sua atuação.

Além das aulas regulares, suas ações abrangem ensaios de musicalidade, produção de instrumentos, oficinas culturais e práticas como maculelê e puxada de rede. No CEACAD, instituição municipal que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, conduz atividades de maculelê no contraturno escolar, ampliando o acesso à cultura afro-brasileira em políticas públicas.

Em 2005, criou o Camugerê – Centro de Preservação da Cultura Afro-Brasileira, um espaço-museu aberto à visitação, dedicado à salvaguarda de instrumentos, documentos e artefatos ligados a manifestações da cultura afro-brasileira. O local tornou-se referência regional de memória, fortalecendo o vínculo entre cultura, história e identidade.

Nos últimos anos, ampliou ainda mais seu campo de atuação. Em 2025, introduziu o jongo na microrregião de Lavras, formando um núcleo com 16 participantes, e criou a Praça de Iúna, espaço cultural comunitário que transformou uma área em território de expressão artística e convivência.

Paralelamente, mantém atividades regulares com crianças e adolescentes na capoeira, consolidando uma atuação intergeracional que articula formação, pertencimento e inclusão social.

Ao longo de sua trajetória, Mestre Rogério integrou cultura, educação, memória e promoção da saúde, utilizando a capoeira e outras expressões afro-brasileiras como ferramentas de transformação. Sua atuação evidencia como a cultura pode reorganizar territórios, fortalecer vínculos comunitários e enfrentar desigualdades estruturais.

Mais do que ensinar movimentos ou ritmos, ele construiu um legado baseado na continuidade dos saberes, na valorização da identidade negra e na formação de pessoas.

Em Lavras, sua presença se traduz em memória viva, resistência cultural e impacto social concreto, reafirmando a capoeira como patrimônio e instrumento de transformação coletiva.

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