O cineasta francês Jean Renoir (esq) e o brasileiro Glauber Rocha em Montreal em 1967. A imagem integra a caixa com novas edições de três livros do cineasta baiano a ser lançada pela editora Cosac –
“No Brasil, o cinema tem sido uma desastrada aliança entre autores imaturos e capitalistas amadores”, escreveu Glauber Rocha aos 20 e poucos anos, ao analisar a nossa produção audiovisual até o início dos anos 1960. Foi quando o diretor baiano quebrou tudo com o seu cinema novo de baixo orçamento e alto compromisso estético e social.
A frase abre “Revisão crítica do cinema brasileiro”, primeiro de três livros de Glauber que a Cosac vai reeditar em uma caixa, com novos prefácios e 50 fotos inéditas. O volume funciona como manifesto para demolir o modelo instituído pelos estúdios Vera Cruz e para proclamar um cinema militante, de vocação revolucionária.
Nele, Glauber analisa de Humberto Mauro e Mário Peixoto a contemporâneos como Alex Viany e Nelson Pereira dos Santos. A nova edição traz apresentação da ensaísta Ivana Bentes, da UFRJ.
O segundo livro, “Revolução do Cinema Novo”, surge quando Glauber já era reconhecido internacionalmente após “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “Terra em Transe” (1967). Publicado originalmente pela Embrafilme, por meio de seu então diretor de operações não-comerciais, Carlos Augusto Calil, hoje diretor da Cinemateca Brasileira.
Ele traz alguns dos textos mais importantes de Glauber, como “O processo cinema” , “O Cinema Novo” e “Tricontinental”, centrais para o pensamento glauberiano. A nova edição tem prefácio do pesquisador Adilson Mendes.
Fecha a caixa “O Século do Cinema”, em que Glauber analisa as cinematografias americana, italiana e francesa a partir de gêneros e autores como Jean Renoir e Michelangelo Antonioni, que conheceu pessoalmente.
A edição traz prefácio do jornalista Claudio Leal. Os três volumes mantêm ainda os prefácios de Ismail Xavier, professor da USP e um dos principais teóricos do cinema brasileiro, que organizadou a primeira edição pela Cosac.
“A reedição de livros de Glauber pela Cosac oferece um arco amplo de ensaios, manifestos e intervenções de choque do nosso cineasta de maior prestígio no exterior, capaz de impactar seus mestres europeus e de pavimentar o chão dos cineastas brasileiros de hoje, ao criar, sem medo de excessos, uma feição crítica e histórica para a trajetória do cinema nacional”, afirma Leal.
Os 45 anos da morte de Glauber também serão marcados pelo restauro de três filmes do período de exílio. O Fundo Cultural do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investirá R$ 2 milhões na recuperação do longa “História do Brasil” (1974) e dos curtas “Amazonas, Amazonas” (1966) e “Di Glauber” (1977). Após a restauração, as obras circularão em festivais e integrarão a Mostra BNDES Glauber Rocha, prevista para acontecer até o final do ano na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
Fonte: Fernanda Mena/Folha de São Paulo
















