Rubio Villela (1935-2007), o “Rubão”, personagem icônico que marcou gerações de lavrenses, foi muito além da figura folclórica de chapéu, crucifixo no pescoço, cadeados na cintura, lamparina e sacola nas mãos.
Misto de filósofo, trovador, sátiro e repentista nordestino, Rubão deixou seu legado não apenas pelas andanças e conversas improváveis nas ruas da cidade, mas também por sua produção artística.
A mostra “Rubão, o Filósofo das Ruas” oferece um olhar breve, mas precioso, sobre suas frases e poesias. Os textos fazem parte dos livros inéditos “Gelo que Aquece – Poesia e Pensamentos” (1962) e “Puxão de Orelhas – Trovas e Pensamentos” (1991). A exposição fica em cartaz na Casa da Cultura de 21 a 31 deste mês e integra a Mostra Cultural 2025.
Sua verve poética combina lirismo, existencialismo, delicadeza e o espanto diante do real. Rubão pensava a cidade, refletia sobre a dureza de estar vivo e transformava a vida cotidiana em matéria de reflexão.
Muito antes da internet, Rubão já era um verdadeiro influencer. Sua rede social era a rua. O encontro, a boa prosa, o olho no olho. Com humor fino e ironia, enfrentava as dores do mundo.
Mandava seu recado, interagia, fazia seu “colab” com quem estivesse por perto. Seja por meio da poesia oral e das frases escritas em placas de metal presas à cintura, seja pelo carisma que atraía dezenas de seguidores onde passava.
O homem alto, que parecia lembrar um eterno ponto de interrogação diante das grandes questões da vida, continua vivo na memória de muitos e nesta pequena mostra de sua obra.
Marco Aurélio Bissoli – Curador da Mostra “Rubão, O filósofo das Ruas”.
















